72 mil pessoas agitam o Centro durante o 5º Festival Santos Café

72 mil pessoas agitam o Centro durante o 5º Festival Santos Café

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Público, que foi às ruas mais antigas da cidade, reabre importante debate sobre sua ocupação e desenvolvimento


Ocupar o Centro. Esse é o principal jeito de transformar essa região de Santos, tão degradada e insegura, num espaço de convivência seguro, de entretenimento e economicamente ativo. Comerciantes, administração municipal e população concordam que esta é a melhor solução quando se fala na região que, hoje, carece de medidas para retomada de sua importância.

Com o encerramento da 5º Festival Santos Café, nesta terça-feira (9), as estatísticas iniciais apontam que o evento levou mais de 72 mil pessoas à região em cinco dias de música, cultura e, claro, uma das bebidas mais saborosas do planeta.
 
“Esta foi a melhor edição do festival, sem dúvida. Superou nossas expectativas em atrações, entretenimento e segurança”, disse o secretário de Turismo de Santos, Odair Gonzalez.


A expectativa da prefeitura era de que, nos cinco dias de evento, 50 mil pessoas passassem pelo Centro. Somente nos quatro primeiros dias foram mais de 51 mil - a aferição é feita a partir das degustações de café.

O casal Carlos Cortana e Aline Donato aprovou o evento. Na segunda-feira (8), eles levaram o filho, Matheus, de 3 anos, no Espaço Kids, e terça-feira aproveitaram para fazer um lanche nos Arcos do Valongo, onde havia vários quitutes. “Realmente é algo que o Centro da cidade precisa. A gente nem passa aqui, por medo. Então, é uma oportunidade não só de conhecer a região, mas também de fazer um passeio diferente”, explica a psicóloga de 30 anos.

Soraia Santi, de 58 anos, costuma ir ao Centro para se divertir e acha que é essencial o Poder Público continuar investindo em ações que atraiam mais pessoas para a cidade. “A população costuma ir cada vez mais para a praia, porque o Centro não oferece atrações e, quando tem, as pessoas nem conhecem. Então, espero que essa iniciativa perdure, porque está realmente muito bom”.


O movimento na região animou alguns comerciantes. Leonardo Araújo, de 26 anos, gerente do Bodega da XV, por exemplo, resolveu abrir as portas no feriado. “Realmente o Centro precisa de mais eventos como esse e também de mais segurança para que a gente consiga trabalhar. Se não fosse o evento, não teríamos ninguém aqui hoje [terça-feira]”.

Para ele, a insegurança ainda é o principal motivo de as pessoas não irem passear na região, que fica vazia aos domingos e feriados. “Se não houver esse olhar do Poder Público de que essa região precisa de atenção, vamos só ficar assistindo ao fechamento de vários Jamblans”, diz ele, referindo-se ao restaurante que encerrou as atividades após mais de 40 anos de história.

Verbas

A partir de 2020, segundo Odair Gonzalez, será possível requerer verba ao Ministério do Turismo para o festival, porque o evento foi feito cinco vezes consecutivas, adequando-se a um critério exigido pela pasta federal para investimentos.


“Se não ocupar o Centro, o lugar se deteriora, fica inseguro e as pessoas não vão. Hoje [terça-feira], o público está se sentindo seguro e isso precisa ser mantido no Centro”.

Preços dos alugueis precisam ser mais adequados, diz secretário

O secretário de Turismo de Santos, Odair Gonzalez, diz que, além da insegurança, há um problema econômico que afasta os empreendedores do Centro. “Os donos de imóveis precisam se conscientizar que os preços cobrados estão muito caros. Eles precisam cair na real. Querem cobrar R$ 30 mil em algo que vale R$ 10 mil”.

Ele também elenca travas jurídicas que impedem o funcionamento em locais mais antigos.

O empresário Gilson Ferreira Feitosa, de 49 anos, concorda com o secretário. “Os imóveis aqui são fora de realidade. Pode olhar, só tem placa de aluga-se”, diz ele, que há dois anos mudou a sede de sua empresa do Centro para a Vila Mathias devido aos aluguéis.

Futuro  

Segundo Gonzalez, o Festival Santos Café de 2020 está garantido. Além disso, ele discute com o prefeito Paulo Alexandre Barbosa (PSDB) a criação de um festival de cervejas, logo após a Oktoberfest, que acontece em Blumenau (SC), em outubro. “Seria algo envolvendo paneleiros e produtores de cerveja artesanal”.

FONTE A Tribuna - FOTO: Carlos Nogueira/ AT

Santos Cidade 22/09/2019 às 21h12 Turismo

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